Antes de Roswell, no meio da mata paranaense, um topógrafo viu o impossível e abriu a era dos discos voadores no Brasil
Antes de Roswell, no meio da mata paranaense, um topógrafo viu o impossível e abriu a era dos discos voadores no Brasil
Em julho de 1947, o mundo ainda se recuperava dos escombros da Segunda Guerra Mundial e dava os primeiros passos na Guerra Fria. Nos Estados Unidos, um suposto balão meteorológico caído em Roswell, Novo México, monopolizaria as manchetes e décadas de teorias da conspiração. Mas, a 8.000 quilômetros de distância, enterrado no coração verde do Paraná, um capítulo igualmente fascinante — e possivelmente mais aterrorizante — da ufologia mundial estava sendo escrito.
O cenário era a Colônia Goio-Bang, uma região de mata fechada e terra vermelha que na época pertencia ao município de Pitanga (atualmente Luiziana). Ali, longe dos holofotes do eixo Rio-São Paulo, uma equipe de agrimensura ouviu um barulho que não deveria existir. Ao se depararem com um objeto metálico de 30 metros de diâmetro e tripulado por três “gigantes” saltitantes, a história do Brasil mudaria para sempre.
Este é o caso que a internet esqueceu. O caso que os livros didáticos ignoram. O caso de José C. Higgens.
O Assobio da Morte Vindo da Mata
Eram por volta das 15h de um dia quente de inverno na região central do Paraná. O ano era 1947, especificamente o dia 23 de julho. A equipe liderada pelo topógrafo José Higgens trabalhava na demarcação de terras, uma tarefa árdua em uma região densamente arborizada e cheia de desníveis.
Segundo relatos originais compilados pelo ufólogo e pesquisador Ademar José Gevaerd, e corroborados por documentos de época, os homens pararam abruptamente suas atividades ao serem atingidos por um som agudo e penetrante. Era um “assobio” mecânico, que não se assemelhava a nenhum pássaro ou animal conhecido na fauna local.
Higgens e seus colegas não eram homens dados a fantasias. Eram trabalhadores rurais e técnicos acostumados com os rigores do campo. No entanto, o som os gelou. Era uma vibração que parecia vir de dentro da terra e das copas das árvores simultaneamente.
A princípio, acreditando se tratar de uma máquina ou de algum equipamento abandonado por madeireiros, a equipe avançou cautelosamente em direção à nascente do ruído. Foi quando a vegetação mais alta deu lugar a uma pequena clareira, e a realidade como eles conheciam se desfez.
O “Disco” Pousado
Ali, apoiado no chão batido, estava um objeto que desafiava a lógica de 1947. Diferente dos “discos” voadores clássicos que se tornariam populares nos anos 50, a descrição de Higgens é bizarramente específica e industrial.
“Era um disco metálico de aproximadamente 30 metros de diâmetro”, relatou Higgens aos investigadores anos depois, em um dos raros áudios preservados. “Mas a cor não era prateada brilhante. Era um cinza esbranquiçado, opaco, como chumbo velho. E ele estava apoiado em três pés metálicos que se curvavam para fora, como garras.”
Para se ter uma ideia, 30 metros de diâmetro equivalem a um prédio de mais ou menos 10 andares deitado no chão. A nave ocupava quase todo o espaço da clareira. Na parte superior, uma espécie de cúpula ou torre se erguia, repleta de “aberturas escuras” que pareciam janelas ou dispositivos ópticos.
Neste momento, o instinto de sobrevivência falou mais alto. Os trabalhadores que acompanhavam Higgens entraram em pânico. A visão daquela massa cinzenta e silenciosa (o assobio havia parado) flutuando sobre o solo da mata foi suficiente para fazê-los correr de volta pelo caminho por onde vieram, abandonando ferramentas e equipamentos.
Todos, exceto José Higgens.
O Encontro com os Gigantes
Ouvindo uma série de estalos e ruídos metálicos, Higgens se agachou atrás de um tronco caído. O que ele viu em seguida o acompanharia até o fim de seus dias.
De uma abertura na base do objeto, três figuras emergiram. Se os colegas de Higgens ficaram apavorados apenas com a nave, a descrição dos tripulantes explica por que ele preferiu ficar escondido no mato a fugir.
“Eles tinham cerca de dois metros de altura, talvez mais”, descreveu Higgens. “Não eram ‘cinzentos’ como se fala hoje. Eles pareciam humanos, mas não eram. A pele era clara, mas os rostos… os rostos eram estranhos, com feições duras.”
Os três seres vestiam macacões justos de cor escura que cobriam o corpo inteiro, deixando apenas as mãos e a cabeça expostas. O que mais chamou a atenção do topógrafo, no entanto, foi a força sobre-humana demonstrada pelos visitantes.
“Eles brincavam. Pulavam como se estivessem em um campo de futebol, mas cada pulo os jogava a metros de altura, desafiando a gravidade”, contou Higgens. “E então um deles pegou uma pedra. Não uma pedra pequena. Era um bloco de rocha que dois homens fortes não conseguiriam levantar. Ele jogou aquilo para o alto como se fosse uma bola de meia. A pedra sumiu no meio da mata, derrubando árvores ao longe.”
A Cronologia do Inexplicável
Segundo o relato, essa “brincadeira” durou cerca de meia hora. Enquanto seus companheiros fugiam em desespero pela estrada de terra em direção à vila mais próxima (demoraram quase um dia inteiro para conseguir ajuda devido à histeria coletiva), Higgens observava a cena hipnotizado.
Os três seres se moviam em sincronia, emitindo sons agudos curtos entre si, uma língua gutural e rápida que não se parecia com nada ouvido na Terra. Eventualmente, como se tivessem cumprido um horário ou um protocolo, eles pararam imediatamente as brincadeiras e retornaram para dentro do objeto.
O silêncio mortal voltou a reinar por alguns segundos. Então, o “disco” começou a emitir um zumbido grave que fez o chão tremer. Sem levantar poeira, sem soprar vento, a enorme estrutura de 30 metros começou a subir verticalmente.
Higgens jurou que a nave não balançou. Ela subiu reta, como um elevador, até atingir a altura das nuvens. Lá em cima, pairou por um instante, inclinou-se ligeiramente e disparou em direção ao Norte, desaparecendo no horizonte em um piscar de olhos.
A Cobertura da Época e o Silêncio Forçado
Ao contrário do que a mídia atual possa sugerir (de que o Brasil é “terra de chupa-chus” apenas nos anos 70), o Caso Higgens teve grande repercussão na imprensa paranaense da época. O jornal “Diário da Tarde” de Curitiba estampou manchetes sobre o “disco voador avistado em Pitanga” .
No entanto, o governo federal, à época sob a administração do Presidente Eurico Gaspar Dutra e imerso na aproximação com os Estados Unidos (que acabara de deflagrar a Operação Saucer, precursora do Projeto Blue Book), rapidamente tratou de abafar o caso.
Militares teriam visitado a região semanas depois, colhido depoimentos e classificado o caso como “fenômeno natural” ou “histeria coletiva”. Uma versão oficial bastante conveniente para a época, mas que nunca convenceu os moradores da Colônia Goio-Bang. Muitos deles, até o fim da vida, se recusaram a voltar a trabalhar sozinhos naquela região específica da mata.
O Legado do Silêncio
Por que o Caso José Higgens é tão desconhecido hoje, especialmente na internet, enquanto Roswell é um fenômeno cultural?
A resposta, segundo historiadores, é multifatorial. Primeiro, em 1947, a comunicação no Brasil era precária. O rádio era o principal meio, e as notícias de uma colônia remota no Paraná demoravam dias para chegar ao Sudeste. Segundo, a tal “Operação Prato”, ocorrida no Pará nos anos 70, ofuscou todos os casos anteriores devido à sua magnitude e à participação massiva da FAB . Terceiro, e mais importante, o caso não teve “sequelas físicas” visíveis para gerar espetáculo (ao contrário do “Chupa-Chupa”), nem uma criatura capturada (como a alegada em Varginha) .
Ficou apenas a palavra de José Higgens. E a palavra de um homem simples, em um país periférico, infelizmente, não pesava tanto quanto os “documentos secretos” norte-americanos.
José Higgens faleceu décadas depois, levando para o túmulo a certeza do que viu. Em entrevistas raras, nunca negou um detalhe sequer. “Eu sei o que é um avião. Eu sei o que é um balão. Aquilo não era daqui”, teria dito antes de morrer.
Visita ao Local Atual
Hoje, a região da antiga Colônia Goio-Bang é uma área de agricultura mecanizada e pequenos sítios. Não há placas, não há museu, não há rota turística ufológica. A reportagem visitou o local aproximado indicado nos mapas antigos.
Moradores atuais, descendentes de italianos e poloneses que colonizaram a região, olham com estranheza quando o assunto é levantado. “Ah, a história do discão? Meu avô contava isso pra assustar as criança”, disse um agricultor de 60 anos que preferiu não se identificar. “Mas ele falava sério. Falava que viu a luz subindo. Ninguém aqui gosta de falar muito disso não. Dá azar.”
Enquanto o mundo debate se o governo americano esconde restos alienígenas no “Área 51”, o interior do Paraná guarda um segredo talvez maior: a prova de que o primeiro contato ostensivo do continente pode ter acontecido em solo brasileiro, décadas antes da “Era de Ouro” da Ufologia.
Mas, como José Higgens percebeu ao ver seus colegas fugindo naquele longínquo 23 de julho de 1947, há coisas que as pessoas simplesmente preferem não ver. E, se não veem, preferem esquecer.