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Caso Stephenville 2008: UFO no Texas perseguido por F-16s | Registros do Exército e Radar

Luzes sobre Stephenville: O Mistério que a Força Aérea não Pode Explicar

Stephenville, Texas – 2008. Em meio às vastas planícies do condado de Erath, onde o cheiro de feno e gado leiteiro sempre definiu o ritmo da vida, os moradores se acostumaram a olhar para o céu. Não por medo de tempestades, mas pela certeza de que, na noite de 8 de janeiro, algo profundamente inexplicável cruzou aquele horizonte.

Há exatos 15 anos, Stephenville – carinhosamente apelidada de “Capital Mundial do Leite” – trocou a pacata rotina rural pelo holofote da mídia internacional. O motivo: um objeto silencioso, do tamanho de um campo de futebol, coberto por luzes pulsantes, que desafiou a lógica e a tecnologia da Força Aérea dos Estados Unidos.

Com base em documentos oficiais obtidos via Lei de Liberdade de Informação (FOIA), relatos de pilotos e autoridades locais, e uma análise de radar conduzida por físicos, esta reportagem revisita o caso que ufólogos comparam ao “Roswell do Novo Milênio”.

“Maior que um Walmart”

Eram cerca de 18h15 quando o empresário e piloto Steve Allen, de 51 anos, relaxava ao lado de uma fogueira na propriedade de um amigo. De repente, uma luz intensa vinda do leste chamou sua atenção. Inicialmente, achou tratar-se de um avião comercial se aproximando, mas rapidamente percebeu que não era nada convencional.

Em depoimento registrado pela rede VICE anos depois, Allen descreveu a cena como algo saído de um filme: a coisa se aproximou em alta velocidade, parou sobre as árvores e emanou uma luz tão brilhante que “era quase ofuscante”. O mais perturbador, segundo ele, foi o silêncio absoluto .

“Não havia vento, não havia ruído de motor. Apenas silêncio. Quando passou por nós, senti uma paz estranha, como se estivesse em sintonia com aquilo. Foi uma experiência religiosa. Irreal.”

Enquanto Allen e os amigos tentavam processar o que viam, o objeto disparou na direção oeste. Poucos segundos depois, dois caças F-16 surgiram no horizonte em “perseguição acalorada”. A poucos quilômetros dali, o policial civil (constable) Lee Roy Gaitan também testemunhou o mesmo fenômeno. Ele contou ter visto um “orbe do tamanho de uma bola de fogo” que se dividiu em 11 ou 12 luzes menores antes de acelerar em velocidade sobre-humana -5.

“Eles não faziam o som de um jato. Eram muito mais rápidos”, afirmou Gaitan às autoridades.

A Mudança de Versão da Força Aérea

O que torna o caso de Stephenville um marco na ufologia não é apenas o número de testemunhas – mais de 50 pessoas compareceram à reunião de emergência convocada pela MUFON (Rede Mútua de UFOs) dias depois. É a inconsistência nas respostas oficiais do governo.

Imediatamente após os relatos, a base aérea reservista de Fort Worth negou categoricamente que qualquer aeronave militar estivesse voando sobre Stephenville naquela noite .

No entanto, pressionados pela comoção nacional e pela atenção da imprensa, os oficiais voltaram atrás duas semanas depois. Em 23 de janeiro de 2008, a Força Aérea emitiu uma nova nota: admitiu que 10 caças F-16 estavam, sim, realizando treinamento noturno na área exata e no horário exato dos avistamentos .

Para Kenneth Cherry, diretor da MUFON no Texas na época, a admissão tardia foi uma admissão velada. “Isso só apoia nossa história de que havia atividade UFO na área. Acho curioso que tenham levado duas semanas para confessar. Eles estão sentindo o calor da publicidade”, disse Cherry à Associated Press .

No entanto, a versão dos “treinamentos” não resistiu ao escrutínio dos fatos. Steve Allen, sendo piloto, explicou que os F-16s operam em áreas de treinamento restritas (MOAs). O objeto que ele viu estava fora dessas zonas. Além disso, as testemunhas relataram que o objeto principal parou no ar – algo que um F-16 não faz.

O Abalo nos Sensores: O que o Radar Detectou

Se as palavras de pilotos e policiais são sujeitas ao ceticismo, os dados brutos de radar da Administração Federal de Aviação (FAA) são a evidência mais sólida.

O físico Robert Powell e o especialista em radar Glen Schulze, da Scientific Coalition for UAP Studies, passaram meses analisando 2,8 milhões de retornos de radar de cinco antenas diferentes na região. O relatório, obtido por esta reportagem, é devastador para a explicação convencional .

Os pesquisadores confirmaram a rota dos dois F-16s (identificáveis pelos transponders ligados). Contudo, nos mesmos dados, encontraram um segundo objeto.

Pelo menos cinco pontos de radar confirmaram a presença de uma aeronave sem transponder – ilegal em qualquer espaço aéreo controlado dos EUA, a menos que seja um stealth ou algo não listado – movendo-se em trajetória convergente com o local do avistamento de Gaitan. Outros dois pontos de radar bateram exatamente com a localização geográfica e o horário do relato de Steve Allen .

“Estas histórias conferem com os dados de radar. Portanto, não há absolutamente nenhuma dúvida de que havia um objeto no céu e que esse objeto não tem um código de transponder que nos diga que estamos lidando com algo real”, concluiu Powell .

Represálias e Silêncio

O preço de buscar a verdade no oeste do Texas foi alto para alguns. A jornalista Angelia Joiner, do Stephenville Empire-Tribune, que primeiro noticiou os relatos de assédio contra testemunhas – incluindo sobrevoo constante de helicópteros pretos em propriedades rurais – foi forçada a pedir demissão. Ela alega que seu computador foi confiscado e que sofreu retaliação da diretoria do jornal após receber pressões externas .

Ricky Sorrells, outra testemunha chave, afirmou ter recebido uma ligação de alguém se identificando como “Tenente-Coronel” avisando-o para parar de falar sobre o ocorrido

A Dorito no Céu do Texas

Dez anos depois, Stephenville abraçou a fama. O caso entrou para o imaginário popular e foi destaque na série documental Encounters da Netflix (2023). Placas de boas-vindas não oficiais na cidade brincam: “Stephenville: O novo Roswell” .

Para os céticos, a Força Aérea resolveu o caso em 2008: foram apenas aviões comerciais refletindo luz solar ou jatos treinando.

Para os investigadores que passaram meses analisando os dados da FAA, o caso permanece como um dos “casos inexplicáveis” mais robustos da era moderna. Os radares não mentem, e os pilotos militares não confundem estrelas com naves.

O que os F-16s estavam perseguindo naquela noite fria de janeiro de 2008 continua sendo o maior segredo guardado nas bases da Força Aérea do Texas.

Fontes usada na reportagem

  • Base do Caso: Stephenville (Texas), 8 de janeiro de 2008.

  • Documentação utilizada: Relatórios da Força Aérea (USAF), dados de radar da FAA obtidos via FOIA, análise da Scientific Coalition for UAP Studies e arquivos da MUFON .

  • Estatísticas: Mais de 50 testemunhas oculares, 10 F-16s inicialmente negados, centenas de páginas de dados de radar analisados.

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